31/05/2017
Roda de Conversa discute Família Afetiva no Museu do Amanhã

Aconteceu nesta segunda-feira, 29/05, no Museu do Amanhã, a roda de conversa “Vamos Falar Sobre Isso?”, que debateu multiparentalidade e os direitos e deveres que perpassam os diversos tipos e formas de família afetiva. O último evento da programação especial da Campanha Nacional dos Defensores Públicos reuniu colegas, assistentes sociais, professores, além de pais e alunos da Escola Municipal João Barbalho.

O “Vamos Falar Sobre Isso?” é um projeto iniciado na Biblioteca Parque que, por conta de seu fechamento durante a crise financeira do estado, foi abraçado pelo Museu do Amanhã. “Essa é nossa segunda edição da roda de conversa e vimos nessa parceria inédita com a ADPERJ e Defensoria Pública uma oportunidade de se discutir o tema da família afetiva, tão atual e importante, especialmente para os jovens” – falou a Gerente de Educação do Museu do Amanhã, Melinda Almada.

Agradecendo a receptividade da equipe do Museu, a Presidente da ADPERJ, Juliana Bastos Lintz, pontuou que esse tipo de evento complementa o trabalho da Defensoria. “Realizar essa roda é colocar em prática a educação em direitos, parte importante da nossa atuação. Espero que este seja apenas o primeiro evento de muitos” – falou na ocasião. 

O Vice-Presidente da ANADEP, Pedro Coelho, também participou do debate e contou que a área de família ocupa cerca de 60% dos atendimentos das Defensorias em todo Brasil. “Nossa Campanha se mostrou um sucesso pela importância do tema e a necessidade de demonstrar que as relações socioafetivas são e devem ser cada vez mais valorizadas como forma de relação familiar” – falou.

A Coordenadora da 2ª Coordenadoria de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio, Luana Prado, deu um panorama histórico das relações familiares. “No passado, a construção da família se baseava na reprodução e na manutenção do patrimônio. Hoje, as relações familiares se fazem por meio do afeto entre pessoas” – falou. De acordo com ela, as políticas públicas também evoluíram, acompanhando a ampliação do conceito de família.

Em sua fala, a Subcoordenadora Cível da Defensoria Pública, Simone Haddad, falou sobre a evolução do direito na área da família. Ela usou de exemplo o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, que no ano passado, reconheceu o conceito de multiparentalidade, no qual o socioafetivo tem paridade com o biológico.

“Nós Defensores queremos  mostrar que há formas de amenizar o sofrimento de um divórcio na vida dos filhos, por exemplo, através de ferramentas jurídicas. Hoje, não é preciso mais escolher se quer o nome do padrasto ou do pai biológico na certidão. Você pode ter os dois. Não é preciso brigar por isso” – explicou. Segundo a Defensora, esse conceito mais amplo do direito visa apenas o interesse dos filhos, “afinal, quanto mais amor, melhor”.

Finalizando a discussão, a Assessora Institucional da Defensoria Pública, Elisa Cruz, lançou aos jovens convidados a pergunta: por que a família é importante? E respondeu: “Porque ela é o lugar que nos sentimos bem. É onde buscamos nossas referências e apoio. Por isso, não pode ser um lugar violento e é trabalho do direito e das instituições tutelar a família para que ela seja a melhor possível”.

Depois das falas das profissionais da área, a roda foi dividida em pequenos grupos. Os educadores do Museu do Amanhã instigaram o debate acerca do tema lançando perguntas como: o que é família para você? Como ela será no futuro?

Para a estudante do 9º ano na Escola Municipal João Barbalho, Mariana Ferreira de Araújo, de 15 anos, o conceito de família vai além dos laços biológicos. “Eu moro com meu padrasto, minha mãe, meus dois irmãos e nosso cachorro. Somos uma família porque nos amamos. Já a família do meu vizinho tem outra estrutura. Não importa”- afirma. 

Após debater o tema diretamente com os jovens, a Defensora Pública Paloma Lamego afirmou que o conceito de família deles já é amplo. “Foi muito bom constatar que a ideia de família afetiva, que é uma novidade no mundo jurídico, é exatamente o conceito que os jovens têm sobre o que é família. Ouvi de todos os estudantes que família para eles é formada pelos laços de afeto. Para gerações anteriores essa ideia não é tão clara” – afirmou.



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