25/08/2014
Atuação dos advogados contra a ditadura é tema de cinedebate

A ADPERJ exibiu na última quinta-feira, 21, o filme Os Advogados contra a Ditadura: Por uma Questão de Justiça. Em seguida foi realizado debate com a participação dos convidados: o cineasta Silvio Tendler e os advogados Modesto da Silveira, Eny Moreira e Técio Lins e Silva, e mediação do juiz de direito João Batista Damasceno.

Baseado em depoimentos de advogados que atuaram em defesa dos perseguidos políticos, além de torturados e jornalistas, o filme relembra crimes praticados durante a ditadura militar. Entre os participantes Modesto da Silveira, Eny Moreira e Técio Lins e Silva.

Durante o debate, o diretor Silvio Tendler destacou que acredita que o cinema é um instrumento de mudança de realidade. “Quando saí da sala da Faculdade de Direito para fazer Cinema é porque tinha vontade de fazer justiça”, afirmou.

O juiz de direito João Batista Damasceno apontou como alguns dos problemas atuais a escalada do Estado policial, a supressão dos direitos e o cerceamento da atividade dos Defensores Públicos.

A advogada Eny Moreira lembrou momentos de sua atuação durante a ditadura: “Quando completei dez anos de formada estava participando do julgamento em que estava sentado no banco dos réus um grupo de pessoas acusadas de tentar subverter a ordem estabelecida”.

Emocionado, o advogado Modesto Silveira destacou: “Não fomos presos, fomos sequestrados. No meu caso, depois da meia-noite, com as minhas três filhas dormindo em casa. Calculo que foram 500 mil vítimas da ditadura de forma direta”.

Já o advogado Técio Lins e Silva elogiou a iniciativa do diretor Silvio Tendler. “Ele presta um serviço extraordinário. Não podemos nos enganar e achar que essas coisas mostradas no filme acabaram. O Silvio não mostra o passado, ele registra o presente. Essas ações continuam a existir de outra forma”, disse.

“Vivemos um novo ciclo repressivo na história do Brasil, com a reação violenta da polícia e do Judiciário às últimas manifestações. Depois de muitos anos, não só a classe trabalhadora, mas outra parcela da população voltou às ruas para exigir melhores condições de tudo. O que se viu e se vê até hoje é uma dura repressão a essa liberdade de manifestação. Não se pode mais falar em ditadura envergonhada e nem escancarada, como apontou o jornalista Elio Gaspari, mas talvez estejamos vivendo a pior das ditaduras, que é travestida em Estado Democrático de Direito’”, destacou a Presidente Maria Carmen de Sá.

O cinedebate foi realizado pela ADPERJ em parceria com a Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro - EMERJ. Assista ao filme aqui.


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